Blog

Marcas próprias na América Latina: para continuar crescendo, preço não é suficiente

| min read
Marcas próprias na América Latina

Nos últimos anos, as marcas próprias deixaram de ser um “plano B” para se tornarem um pilar estratégico para os varejistas, atuando como alavanca de margem, proposta de valor e diferenciação. Além disso, as pressões inflacionárias decorrentes da pandemia de COVID-19 reduziram o orçamento do consumidor, gerando maior demanda por produtos mais econômicos, segmento em que as marcas próprias historicamente têm se destacado.

Form placeholder. This will only show within the editor

 

Marcas próprias na LatAm

 

 

Em resumo, observamos oferta e demanda convergindo para impulsionar o crescimento das marcas próprias na América Latina.

No entanto, a região ainda apresenta níveis de penetração significativamente inferiores quando comparada à Europa ou até mesmo aos Estados Unidos.

Com a inflação mais controlada e taxas de juros em níveis intermediários em muitos países latino-americanos, este é o momento de refletir sobre os próximos passos e sobre como os varejistas devem adaptar sua estratégia de marcas próprias. 

Níveis de inflação na América Latina

 

Nesse contexto, nosso estudo global sobre marcas próprias na América Latina oferece uma base de evidências comparável à de mercados desenvolvidos para entender não apenas o crescimento dessas marcas, mas também os atributos que precisam ser desenvolvidos para que a estratégia seja sustentável. Isso permite uma mudança de enfoque: sair de debates gerais sobre crescimento e share e avançar para uma discussão muito mais acionável, sobre com quais condições as marcas próprias podem continuar ganhando relevância na América Latina.

Os consumidores latino-americanos têm forte vínculo com as marcas tradicionais, o que torna uma estratégia de marcas próprias baseada exclusivamente em preço limitada. 

Não é que o preço não seja relevante. Mas, na média, a marca ainda tem peso significativo na decisão de compra. Observam-se sinais consistentes de apego às marcas líderes: melhor percepção relativa de qualidade, menor sensação de “supervalorização” e uma carga emocional mais forte do que na Europa e nos Estados Unidos.

Percepção de marcas tradicionais na América Latina

 

Isso leva a duas implicações diretas para a estratégia de marcas próprias: 

1. Marcas próprias não vencem apenas por preço. 

Se o consumidor valoriza a marca, por exemplo, quando a percebe como garantia de qualidade e variedade, o simples diferencial de preço pode não ser suficiente para alterar a decisão de compra. Nesse contexto, entender as necessidades que o consumidor busca atender com determinado produto (jobs to be done) torna-se essencial para equilibrar a equação de valor.

2. Estratégias transversais geram ineficiências de investimento. 

Quando as marcas próprias são impulsionadas por uma única estratégia aplicada de forma transversal a todas as categorias, há risco de sobreinvestimento ou subinvestimento. Por exemplo, uma abordagem focada exclusivamente em competitividade de preço pode levar a um excesso de investimentos em promoções, corroendo margens em categorias nas quais o principal driver de compra não é o preço. Ao mesmo tempo, pode resultar em subinvestimento em construção de marca e em awareness.

Diante disso, a pergunta central deixa de ser “como aumentamos a penetração total de marcas próprias?” e passa a ser:

Em quais categorias faz sentido acelerar marcas próprias na América Latina, qual promessa deve ser feita em cada uma delas e quais capacidades são necessárias para garantir um crescimento sustentável?

Marcas próprias exigem uma estratégia específica por categoria, baseada nas necessidades funcionais e emocionais mais valorizadas pelo consumidor.

A rota mais robusta na América Latina é simples em conceito, mas desafiadora na execução:

  1. Priorizar categorias com maior espaço de crescimento 
índice de desenvolvimento de marcas propias

Nosso estudo mostra que categorias como conservas e mercearia apresentam maior potencial quando utilizamos a penetração europeia como referência. Por outro lado, categorias como bebidas alcoólicas e cuidados pessoais demonstram menor potencial relativo.

  1. Desenhar a estratégia adequada para cada tipo de categoria 

Nas marcas tradicionais, o consumidor latino-americano valoriza atributos funcionais, como qualidade e amplitude de sortimento. Além disso, atributos emocionais, como identificação com a marca ou sensação de status, embora relativamente menos relevantes do que os funcionais, ainda têm maior peso na América Latina quando comparados à Europa ou aos Estados Unidos.

Dito isso, a relevância desses atributos varia por categoria, o que reforça a necessidade de estratégias diferenciadas, capazes de responder aos jobs to be done específicos de cada uma.

Próximos passos 

Para aprofundar seu conhecimento e entender os resultados completos, faça o download do estudo.

E, caso tenha interesse em estruturar um playbook de marcas próprias para o seu mercado, vamos conversar! Em poucas semanas, é possível transformar insights em um roadmap priorizado e acionável.

 

Contacte-nos

Os nossos especialistas estão sempre disponíveis para discutir a sua questão. Entre em contacto e iremos colocá-lo em contacto com um membro da nossa equipa.